Taiwan planeia reforçar sistema de controlo dos funcionários que viajam para a China
Taiwan está a estudar um novo sistema de controlo para os funcionários públicos que viajam para a China, informou hoje a agência de notícias estatal CNA.
Chiu Chui-cheng, chefe do Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan (MAC), a agência responsável pelas relações com a China continental, disse que Taipé está a considerar uma "reforma legal abrangente" para exigir que todos os funcionários obtenham autorização para viajar para a República Popular da China.
"Estamos atualmente a deliberar e a consultar as agências competentes e, uma vez alcançado o consenso, será implementado", disse Chiu no parlamento na quinta-feira.
Atualmente, os funcionários públicos de nível 11 e superior - como chefes de departamento, diretores-adjuntos e diretores-gerais - têm de obter autorização do Ministério dos Assuntos Internos para visitar a China, enquanto os funcionários de nível inferior a 11 podem simplesmente pedir uma licença à sua agência de trabalho.
"Por conseguinte, durante os feriados, podem viajar por conta própria para a China continental, bem como para Hong Kong e Macau, uma vez que não existe atualmente nenhum mecanismo de controlo específico", explicou Chiu.
Esta iniciativa faz parte dos esforços do Governo taiwanês para contrariar as crescentes operações de "infiltração" da República Popular da China na ilha.
O líder de Taiwan, William Lai, anunciou, a 13 de março, dezassete medidas para travar a influência de Pequim em Taiwan, incluindo a implementação de um "sistema de divulgação de intercâmbios com a China envolvendo funcionários governamentais a todos os níveis".
"Isto inclui todos, desde os funcionários administrativos aos representantes eleitos, legisladores, chefes de aldeia e de bairro, que devem tornar públicas e transparentes as informações relacionadas com esses intercâmbios, a fim de prestarem contas ao público", afirmou o dirigente, que é considerado um "combatente da independência" e um "desordeiro" pelas autoridades de Pequim.
Taiwan é governada autonomamente desde 1949 sob o nome de República da China e possui Forças Armadas e um sistema político, económico e social diferente do da República Popular da China, destacando-se como uma das democracias mais avançadas da Ásia.
No entanto, Pequim considera a ilha uma "parte inalienável" do seu território e, nos últimos anos, intensificou a sua campanha de pressão contra o território, a fim de conseguir a "reunificação nacional", que é fundamental para o objetivo a longo prazo do Presidente chinês, Xi Jinping, de "rejuvenescer" a nação chinesa.